Diferentes pontos de vista de muitos assuntos... Espaço aberto para opinião de arquitetos, designers, galeristas, artistas...
GISELA DOS SANTOS Comida, Diversão e Arte.
Este foi o tema que eu passei pro saudoso Zeca D'Acampora em uma mostra de mesas que promovi nos corredores do Beiramar Shopping anos atrás,pouco antes da partida do Chef.Querdo como sempre, ele topou na hora, e produziu uma mesa sensacional baseada na semana da arte modernas de 1920.Pensando num assunto pra minha segunda coluna na Mercato Immobiliare, o refrão (Titâs) "Comida, Diversão e Arte" me voltou à cabeça.
Explico: em minha opinião sem estas três coisas uma casa será sempre só uma casa...Nunca um lar.A palavra lar lhe soa piegas?Pois pra mim não. Lar, independente de quanto tenha custado sua montagem, é uma casa com vivências,com alma e será sempre mais do que só um imóvel.Sem cheiro de COMIDA e sem temperos, uma cozinha super equipada não vai passar de um amontoada de parafernálias. Adoro cheiro de cebola frita em casa.A base de um risoto preenche o espaço de memórias afetivas. É uma delícia, depois enjoa, claro, daí assa-se um bolo pra mudar os ares.
Risos também ficam impregnados nas paredes.Acredite!!! Encontros de amigos, conversas e DIVERSÃO marcam de maneira definitiva o astral da casa.
Também se pode chorar entre suas 4 paredes,lógico.A casa vai sentir e tentar lhe confortar. Passada a crise,retribua.Compre vasos novos, flores e ARTE, a melhor tela ou escultura que você puder pagar.Apaixone-se pela arte, interaja e interprete cada peça do seu próprio jeito.Saiba o nome dos artistas que compõem seu acervo, e evite comentários sobre preço...Isso faz toda a diferença.Nada pior do que a soberba ou a ignorância diante de suas aquisições.
Texto de Gisela dos Santos para a revista Mercato Immobiliare
JULIANA PIPPI De volta para casa e cheia de idéias e inovações
É sempre uma surpresa chegar em Milão e ver o tamanho da Feira. São mais ou menos 25 galpões cheios de Stands das melhores marcas, designers e estilos. Entrando e saindo desses galpões (pavilhões) encontrei milhares de novidades e tendências que gostaria de compartilhar com vocês. A assimetria é algo que predominou nos móveis como nichos, as cabeceiras, estantes desalinhadas, sofás, cadeiras e racks. Nos Stands de móveis os revestimentos predominantes continuam sendo a laca branca em alto brilho, cinza e beges. Além disso, os amadeirados lavados certificados estão com tudo. Nas padronagens muita lã, crochês largos e linhos. Os detalhes para as estampas em pixel gigante e o xadrez Chanel (pied poule) com novas texturas, novas cores cítricas e tudo associado a muita tecnologia. Na área dos dormitórios foi um desfile de novidades e tecnologias. Porta de armários cada vez maiores, camas estofadas e jogos de volumes nos criados-mudo. Onde tudo fica escondido e prático. Móveis soltos como cadeiras em tons fortes como azul Fendi e Verde Limão tipo siciliano. A iluminação foi outra novidade com a quantidade de móveis que tinham LED embutido. Nas cozinhas, banheiros, salas, quartos....em todo lugar. A Euroluce, feira especializada em iluminação trouxe novidades e tendências em luminárias. Produtos maleáveis foram usados para criar luminárias diferentes e assimétricas como, por exemplo, fita de madeira criando volumes, fitas de fibra de vidro criando texturas diferentes. Até luminárias em forma de esculturas que substituem uma peça de decoração. As cores também estão presentes nesta área como o azul, vermelho, amarelo e o tradicional preto e branco. Na Mostra paralela "Fuori Salone" visitei o espaço da Corian que estava divino. O stand foi todo inspirado no filme "Tron Legacy" da Disney trazendo uma atmosfera futurista. Quem viu o filme se emocionou ao entrar neste salão. A presença marcante do designer brasileiro também me impressionou. Fiquei orgulhosa de ver que o Brasil fez bonito na Feira criando tendências na arquitetura. A Mostra Brasil SA este ano foi num belíssimo palácio restaurado no Centro de Milão com exposições lindíssimas como a Ala das Bandeiras que trouxe o histórico de alguns arquitetos e designers brasileiros importantes. Em outra sala uma exposição de imagens e histórico de arquitetos como Li Bo Bardi, Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Sérgio Rodrigues, entre outros. Mas o que chamou mesmo a atenção foi o espaço com as bolas cedidas pela Nike e customizadas por grandes personalidades brasileiras como Marcelo Rosembaum, João Armentano e outros. Até o Chef Alex Atala customizou uma bola com grãos de arroz e feijão. Tudo mostrando que o talento brasileiro é hoje criativo e universal. Quebrando barreiras internacionais. O que eu vi em Milão esse ano foi muita novidade, criatividade, cores, formas, inovações dos designers vão ficar marcados até a próxima Feira. Para quem trabalha com idéias e tendências, visitar a Feira de Milão é uma oportunidade única. Presenciei e vivenciei um verdadeiro show de arquitetura e decoração.
Arte para quem desja arte Por Marina Baldini
O momento atual é propicio para o surgimento de novos artistas, esses muitas vezes criando em novos suportes para um novo público. O jovem de hoje tem interesse por arte, arte com a qual ele se identifica, admira e muitas vezes se sente parte dela.
A internet e a rua muitas vezes fazem o papel de galeria e novas obras de arte multiplicam-se nos monitores e muros daqueles de olhar atento.
Do interesse que surge através de imagens que circulam na rede em blogs e fklickr de artistas e figuras pintadas em muros da cidade, surge a vontade de buscar o "real". É comum o público que visita a galeria, já conhecer e identificar artistas, trabalhos e séries, sem nunca ter estado lá antes, mostrando profundo interesse pela arte atual produzida em Florianópolis.
Um novo público surge, um público jovem que deseja ter em sua casa arte de qualidade que fale sua língua. E essa linguagem muitas vezes abandona telas e molduras e transforma-se em grafites feitos diretamente nas paredes das residências de quem investe na arte como forma de completitude de seu bem estar e sabe que a história da humanidade é a história da arte e viver o seu momento, não é de forma alguma negar seu passado, mas sim participar das mudanças de seu presente.
Sendo assim, interessantes coleções vão se constituindo, onde um retrato de Martinho convive ao lado de um grafite Driin sem causar desconforto, muito pelo contrário sugerindo uma perfeita conexão proporcionada pela liberdade contemporânea.
Marina Baldini - Arquiteta e Galerista www.corgaleria.com
Razão ou Emoção? Por Marcelo Salum
Aqui sentado em frente ao meu computador fico me perguntando o que de realmente útil eu posso escrever para essa coluna. Falar sobre tendências? Sobre que materiais estão se usando, o que é certo, o que é errado na arquitetura? Confesso que não sinto entusiasmo. Hoje em dia é um campo muito vasto e creio que definir tendências, em minha opinião, é algo ultrapassado. Talvez o que eu possa tentar fazer é uma reflexão sobre o que é atuar nesse mercado e pessoalmente descrever meus estímulos e desejos.
Quando a Gisela me convidou para assinar essa coluna sugeriu o tema razão e sensibilidade e questionou se é possível conciliar essas coisas. Creio que não só é possível como um dever. Mas como um tema tão recorrido na arquitetura como o da forma segue a função ou a função segue a forma, como devemos eleger quem vem na frente, razão ou sensibilidade?
No nosso dia a dia temos que lidar com inúmeras questões práticas para botar em funcionamento nossa vida, aí sem duvida entraria a razão. Quando um cliente nos procura antes de qualquer coisa quer eficiência, soluções, economia de tempo e dinheiro... Ok, isso é geral e temos que responder a esses inúmeros fatores para que geremos satisfação. Mas será que é só isso? Claro que não, embora a primeira vista esse possa ser um fator determinante, tem toda uma questão de identificação com a estética, gosto, estilo e até mesmo com nossa personalidade. Contudo sinto que ainda fica um vazio nessas respostas e talvez o melhor questionamento e quem sabe o mais sutil deles seria saber qual nosso diferencial? Ou melhor, o que esta por trás das relações que estabelecemos? Aí sim entraria a tal da sensibilidade que pode se desdobrar em mil questões. Nisso, assim como o tema da forma e função, seria difícil separar razão e sensibilidade. De certa forma uma segue a outra, intercalando-se. E talvez o nosso grande desafio seja fazer com que elas andem lado a lado, unidas, integradas. Para que isso aconteça arriscaria a dizer que essa "busca" deveria se expandir para além da arquitetura e estar incorporada na nossa vida. É um exercício diário, de atenção e consciência dos nossos atos. Somos co-criadores, não apenas dos nossos projetos, mas principalmente da nossa vida. E quem sabe a melhor das perguntas aqui feitas e a que tento incorporar cada vez mais em minha vida, silenciosamente em frente a cada cliente, fornecedor, funcionário, amigo... é COMO POSSO SER ÚTIL?
Cor é luz, a cor muda conforme a fonte de iluminação... a cor do mar muda... do céu muda...
As cores transformam... transformam tudo, as cores quentes por exemplo dão sensação de proximidade, e as frias o inverso. As cores quentes são mais dinâmicas, as frias calmantes e todas são importantes em vários momentos de nossa vida e no ambiente onde habitamos, nosso lar. A mistura delas proporciona o equilíbrio, pois encontramos harmonia quando integramos todas as cores, matizes, valores, , produzindo uma unidade agradável à vista, e contraste quando unimos várias cores produzindo uma espécie de choque que cria uma unidade cromática mais vital e dinâmica, portanto o uso ideal da cor é aquele que integra, num mesmo ambiente, harmonia e contraste.
Os diferentes estilos também são bem definidos pelo uso das cores. O clássico se utiliza de tons grenás, verdes, vermelhos escuros e marrons. No contemporâneo os protagonistas são cores metalizadas e neutras, mas, com uma pitada de ousadia em detalhes coloridos. No estilo clean o branco reina. Nos ambientes étnicos as cores mais utilizadas são as quentes e os tons de terra, sépia, ferrugem, ocres e laranjas. No estilo oriental o vermelho esta sempre presente. E no estilo rústico as cores quentes em tons terrosos, que nos remetem ao natural e artesanal.
Assim podemos concluir que planejar e decorar um ambiente não é somente fazê-lo bonito mas, é também imprimir-lhe caráter e dotá-lo de sentido.
Abaixo saiba um pouquinho do que cada cor traz para o seu dia a dia, não esquecendo que podemos trazer as cores para nossa vidas, de várias formas, em objetos, tapeçaria, tecidos e principalmente através de pinturas em paredes que é uma alternativa agradável e barata e fácil de mudar.
Tenha coragem de ousar, e se precisar, existem algumas fabricantes de tintas que oferecem profissionais para ajudar nesta hora.
Vermelho: Cor quente com natureza extrovertida. Traz motivação, atividade, vontade, ela atrai vida nova e pontos de partida inéditos. Amarelo:: É a cor mais clara que mais se assemelha ao sol, energia. Traz a esperança de que tudo correrá bem, resplendor, brilho, jovialidade e alegria.
Laranja: Assim como o vermelho, é expansiva e afirmativa; contudo é mais construtiva. Essa cor traz as "bênçãos da vida", boa saúde, criatividade, confiança e coragem, atitude positiva frente a vida. Violeta: Formada pela combinação de azul com vermelho, reflete dignidade, nobreza e respeito próprio. É a cor da realeza e, em sua forma mais sublime, vibra com força da integração e unidade.
Marrom: Cor ligada a terra. Esta associada a coisas solidas, permanentes. Cor sóbria, neutra.
Azul: Essa cor faz parte do espectro frio e, por sua quietude e confiança, promove a devoção e a fé. É uma cor popular associada ao deve, a beleza e a habilidade. A serenidade dessa cor traz consigo paz, confiança e sentimento curativos agradavelmente relaxantes.
Verde: Reflete participação, adaptabilidade, generosidade e cooperação. Essa cor atenua as emoções, facilita o raciocínio correto e amplia a consciência e compreensão. Ambiente propicia a tomar decisões. Sentimento natural de justiça.
Ticia Medeiros Artista plástica / Designer de interiores e consultora de cores (48) 9112-3732 www.jasmimmangadesign.com.br
Foto: Regiane Ivanski.
http://designnobrasil.blogspot.com
Aconchego
Por Sílvia R. Santos Figueiredo
Nossa casa é nosso refúgio maior, é nela que nós estamos a sós, longe dos controles externos. Lá passamos nossos tempos ociosos e vivemos mais de perto o extraordinário dentro do cotidiano ordinário.
Só nela que nós nos habitamos, nos espelhamos e em cada canto da casa há sempre uma parte de nós... Assim, a casa da gente é como nossa própria vida; sempre em transformação; sempre em construção, seja esta pequena ou grande, despida de luxo ou coberta de luxo; ela é o lugar necessário, é o predileto, é o nosso grande confessionário e também é: o cenário da nossa vida real.
"A nossa casa é o reflexo de como nós nos habitamos".
Sílvia R. Santos Figueiredo
Escritora e Advogada
Tire do baú!
Por Marina Baldini
Para aqueles que gostam de decoração e buscam sempre agregar estilo e peças descoladas à sua casa, as visitas a casa da vovó tornaram se momentos de divertida garimpagem de objetos que até pouco tempo atrás não imaginávamos de volta ao nosso dia-a-dia.
Não estou me referindo a cristais bacarat, nem tão pouco ao serviço de chá de prata. Falo de caixinhas antigas, eletrodomésticos que foram aposentados e mais inúmeras coisinhas ricas em lembranças que foram parar no "quartinho" da garagem.
Lembra daquela coleção de talcos da Christian Grey? Ou das lindas latas de sorvete (em meados da década de oitenta teve uma série ilustrada pelos gatos de Ademir Martins)? Das cozinhas de fórmica coloridas? E das banquetas feitas de tubo? Sem contar no fogão de pezinhos altos que sua sogra ganhou de presente de casamento e que até hoje funciona perfeitamente!
Pois então. Ao nos depararmos com essas e outras inúmeras peças todas carregadas de recordações (nossas ou das "famílias vende-tudo") é chegada a hora de nossa imaginação correr solta e dispormos essas relíquias de forma criativa e em um novo contexto. Assim, recolocadas, elas surpreendem e provocam divertidas e sentimentais reações naqueles que nos visitam.
Talvez esse resgate seja uma maneira de mostrarmos que não somos descartáveis, que
temos uma história e que nossa casa não é um show room.
Aposte nisso. Reúna suas lembranças, não tenha medo de inventar, agregue humor dando nova utilidade aquela peça antiga. Sua casa ficará ainda mais original!
Marina Baldini - Arquiteta e Galerista
www.corgaleria.com
Customização... Uma batida diferente e original
Por Gisela dos Santos
Como acontece de praxe a mania de customizar pegou simultaneamente no universo da moda e da decoração. Na moda tachas, laços e strass incrementam roupas de todo o tipo e principalmente camisetas básicas... Elas tornam-se únicas. Em decoração é a mesma coisa!É incrível o que uma boa idéia pode fazer por diferentes peças Vale forrar móveis com tecido couro fez a publicitária Vivi em uma reportagem disponível nos nossos vídeos nesse site,vale revestir uma Berger antiga com patchwork de tecidos ,cobrir uma mesinha inexpressiva com espelho... São infinitas idéias.
Eu, na falta de habilidade manual e coordenação motora pra fazer sozinha qualquer mudança aderi à pintura automotiva. Estou numa fase apaixonada por cores. Descobri uma oficina de lataria na praia da Joaquina que pinta de tudo.
Comecei com um lustre, era um bege decapê cafona. Nasceu de um novo pintado com um amarelo abacaxi que sobrou de um fusca. Sobrou tinta desse carro? Perguntei... Então o lustre vai ser amarelo! Depois veio o vermelho Ferrari para uma cadeira Thonart e finalmente o azul Tiffany para a máquina de secar roupa. Era bege estava toda enferrujada, o ó !Uma vergonha... Depois de passar pela oficina e ganhar um adesivo tornou-se a vedete da área de serviço. As vizinhas estão fazendo fila pra ver a novidade e repetem em couro: UAUU. O deslumbramento é geral. Não troco mais a minha máquina de secar por nenhum modelo moderninho. Pelo menos enquanto durar o encanto.
Gisela dos Santos Jornalista e Apresentadora do Casa e Cia