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CASA COR SP 2018 - A maior mostra de todos os tempos

19/06/2018

CASA COR SÃO PAULO 2018

 

 

A maior mostra de todos os tempos. Assim os organizadores de Casa Cor SP estão tratando o evento este ano. Os números batem recordes: são 82 ambientes espalhados por 25 mil m². O palco do espetáculo é mais uma vez o Jockey Club.

Casa Cor mantém contrato por prazo indeterminado com o Jockey e já ocupa as instalações do clube no Jardim Paulista há muitos anos. Confesso que isso acaba tirando um pouco da "novidade" do evento. Como jornalista acho que fazer a cobertura todos os anos no mesmo local deixa a coisa meio monótona, mas o formato do evento muda bastante e sempre se faz um remanejamento das áreas ocupadas. A área construída do Jockey e os jardins são gigantes! 

Plantar Ideias - Paisagens de Luz.  Luciana Pitombo e Felipe Stracci Plantar Ideias - Paisagens de Luz. Luciana Pitombo e Felipe Stracci 

 

Desta vez além dos prédios o evento espalhou-se pelo bosque, onde muitos expositores ergueram casas, lofts e studios. Eles apropriam-se de novos métodos de construção - sai de cena a alvenaria convencional, entram estruturas metálicas, vidro, drywall.... em pouco tempo surgiram obras grandiosas, que serão desmontadas logo no fim do evento. Juro que nunca consegui  entender esta logística do desmonte onde tanto se fala de sustentabilidade, mas , porém , todavia, entretanto  ... (adoro conjunções adversativas, rsrsrs , denotam vontade de ponderar, isso eu tenho). Bom, pelo menos um anexo foi pensado pra ser vendido e transplantado no encerramento da Mostra. É a Sys Haus de Arthur Casas. Ponto pra ele ! Acho que tem que pensar no espetáculo. Tem muita emocão envolvida nisso, mas não se pode perder a razão. E pensar num transplante é racional e mais sustentável. Duda Porto fez isso muitas vezes na CASACOR carioca.

SysHaus - Arthur Casas

SysHaus - Arthur Casas

 

Voltando a São Paulo,  Débora Aguiar construiu o maior anexo. Uma casa contemporânea de mais de mil m². Ousada no tamanho, contida no estilo. A arquiteta repete sucessivante a fórmula que a consagrou: beges, cinzas, traços retilíneos em contraste com as texturas de materias naturais. Muito bonito , muito correto e muito previsível... Sinceramente gosto daqueles que se arriscam, que se reinventam, ainda que jamais percam a essência.

 
Roberto Migotto faz isso muito bem. Em  todas  edições de Casa Cor e Mostra Black que já acompanhei ele, no Brasil e na Casa Cor Miami, nunca vi repetições.  Este ano no Jockey ele inspirou-se no Marrocos. Trouxe referências sutis, mucharebis da arquitetura moura e uma chaise de tigresa que amei (e nem sou perua, um contexto certo faz da tigresa um clássico) 
Também gostei muito da Casa Relógio do Dado Castelo Branco. Simplesmente chic. A escada é o foco das atenções. 

Migotto

Roberto Migotto

 

Casa do Relógio - Dado Castello Branco

Casa do Relógio - Dado Castello Branco

 

Armentano voltou a ser Armentano. Isto é bom. Em outras edições achei ele meio comercial apresentando ambientes focados no patrocínio de modulados e marcenaria. A parceria com a marca se mantém, mas o projeto é menos comercial e mais conceitual.  Formulazinha complicada, eu entendo.

Ainda entre os muitos anexos destaco ainda: a Casa Árvore de Paola Ribeiro, um ambiente gourmet de lazer e convivência, a nova versão do antigo salão de festas. E o Refúgio Urbano de Marina Linhares. Muito acolhedor. Equilibra o simples e o chic sem grandes invencionices... Ousar é bom, mas não é preciso reinventar a roda a cada aparição. Corre-se o risco de o discurso de defesa da proposta conceitual e tals ficar enfadonho e insustentável.  Às vezes acontece com grandes estilistas na passarela moda e com grandes arquitetos em mostras do porte de CASACOR. 

Nossos arquitetos mandaram bem! 

A cada edição CASACOR SP promove um intercâmbio com arquitetos e designers de outros estados. Adoro isso pois o evento ganha novos sotaques, novos contornos. Desta vez foram escalados para o elenco três escritórios catarinenses:
Os Jrs de Balneário Camboriu, Marcelo Salum e Juliana Pippi de Florianópolis. 

Esta já é a terceira participação de Salvio e Moacir Schmith Jr em Casa Cor SP.  O loft deles tem atmosfera intimista, uma ideia bem cosmopolita, iluminação tênue e poucos e bons clássicos do design contemporâneo. 

CASA_DEZESSEIS - Moacir Schimitt Jr. e Salvio Moraes Jr.

CASA_DEZESSEIS - Moacir Schimitt Jr. e Salvio Moraes Jr.


Juliana Pippi fez a sala Toki.  Espaço que faz um reflexão sobre o uso do tempo, propõe o slow living na contramão do ritmo frenético dos novos tempos. Nesse embalo novidades tecnológicas cedem espaço para o slow design. Peças feitas artesanalmente aparecem aqui e ali contracenando com mobiliário produzido em larga escala. O sofá revestido em tie dye azul em contraste com a base rosa antigo é destaque no conjunto.

 

TOKI - Juliana Pippi

TOKI - Juliana Pippi

 

Marcelo Salum apostou no estilo retrô em sua estreia na mostra paulista. O loft  “Alguma coisa acontece no meu coração“ enaltece a hospitalidade do povo paulistano, que recebe tão bem forasteiros vindos de toda parte do mundo. Na música Caetano fala do estranhamento inicial  que logo vira amor... Salum interpreta em espaços acolhedores e cheios de histórias contadas em bordados e peças antigas , que dividem a cena com móveis e marcenaria mais moderna. Fazendo alusão ao tema do evento “casa viva “ Salum trouxe muitas plantas pra dentro do espaço. 

Envolver a casa de verde é um caminho apontado por muitos expositores. Isso foi moda nos anos 70 , virou cafona e voltou com tudo . A tendência tem nome: biofilia. A ideia é cultivar “pequenas florestas “ dentro de casa para reconectar o indivíduo com a natureza.

 

“Alguma coisa acontece no meu coração” - Marcelo Salum

“Alguma coisa acontece no meu coração” - Marcelo Salum



CASA COR SP vai até 29 de julho. 
Local: Jockey Club de São Paulo - Lineu de Paula Machado, nº 875